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Rotina Diária

Português: concordância verbal e nominal · Aula 2 de 3

Concordância verbal: casos especiais

Sujeito composto, coletivos, "a maioria de", porcentagens, haver e fazer impessoais e o "se": os casos de concordância verbal que mais caem em provas.

Português ENEM e concursos 5 min de leitura 5 exercícios Atualizada em

Sujeito composto

Sujeito composto tem dois ou mais núcleos. A regra depende da posição dele.

Antes do verbo: plural

"O diretor e a secretária assinaram o documento." Com o sujeito composto anteposto, o verbo vai para o plural.

Depois do verbo: plural ou o mais próximo

Quando o sujeito composto vem depois do verbo, a norma aceita duas formas: o plural ou a concordância com o núcleo mais próximo.

Exemplo

  • "Assinaram o documento o diretor e a secretária."
  • "Assinou o documento o diretor e a secretária."

As duas estão corretas.

Pessoas gramaticais diferentes

Se os núcleos são de pessoas diferentes, a primeira pessoa prevalece sobre as outras, e a segunda prevalece sobre a terceira.

Exemplo

  • "Eu e o Rafael viajaremos amanhã." (eu + ele = nós)
  • "Você e ela chegaram juntas." ("você" leva o verbo para a terceira pessoa)

Núcleos ligados por "ou"

Se o "ou" indica exclusão (só um dos dois pode fazer a ação), o verbo fica no singular: "Paulo ou Marcos será o novo síndico". Se não há exclusão, o plural é o normal: "O frio ou a chuva atrapalham a colheita".

Coletivos

Coletivo é um substantivo singular que indica um conjunto: turma, equipe, multidão, bando, grupo. Sozinho, ele leva o verbo para o singular.

Exemplo

"A equipe comemorou a vitória." (e não "comemoraram")

Quando o coletivo vem acompanhado de um termo no plural, o singular continua sendo a forma mais segura, mas o plural também é aceito pela gramática.

Exemplo

"Um grupo de turistas visitou o museu." / "Um grupo de turistas visitaram o museu."

"A maioria de", "a maior parte de", "metade de"

Expressões partitivas seguidas de substantivo no plural admitem singular (concordando com "maioria") ou plural (concordando com o termo especificado).

Exemplo

  • "A maioria dos candidatos chegou cedo."
  • "A maioria dos candidatos chegaram cedo."

Atenção

Se não houver termo no plural depois da expressão, só o singular é possível: "A maioria votou a favor."

Porcentagens

Com porcentagem seguida de especificador, o verbo pode concordar com o número ou com o termo especificado.

Exemplo

  • "30% dos alunos faltaram."
  • "1% dos eleitores votou." / "1% dos eleitores votaram."
  • "40% da turma faltou." / "40% da turma faltaram."

Quando há artigo ou outro determinante antes do número, o verbo concorda com o número: "Os 10% restantes ficaram para o próximo mês." Sem especificador, também vale o número: "Só 2% concordaram."

Haver e fazer impessoais

Haver

No sentido de existir, acontecer ou indicando tempo decorrido, o verbo "haver" não tem sujeito. Por isso fica sempre no singular.

Exemplo

  • "Havia muitas dúvidas sobre o edital." (existiam muitas dúvidas)
  • "Houve dois acidentes na rodovia." (aconteceram dois acidentes)
  • "Há anos não vejo meus primos." (faz anos)

Fazer

Indicando tempo ou fenômeno da natureza, "fazer" também é impessoal: "Faz cinco anos que me mudei"; "Fez dias muito quentes em janeiro".

Atenção

A impessoalidade passa para o auxiliar: "Deve haver soluções", "Vai fazer dez anos". Escrever "devem haver" ou "vão fazer dez anos" é erro clássico. Já "existir" é verbo pessoal: "Existem soluções", "Devem existir soluções".

O "se": apassivador ou índice de indeterminação

Aqui está um dos assuntos mais cobrados. O mesmo "se" pode ter duas funções diferentes, e cada uma tem uma concordância.

Partícula apassivadora: o verbo concorda

Com verbo transitivo direto (pede complemento sem preposição), o "se" forma a voz passiva sintética. O termo que parece objeto é, na verdade, o sujeito. O verbo concorda com ele.

Exemplo

  • "Vendem-se apartamentos." = Apartamentos são vendidos.
  • "Alugam-se salas comerciais." = Salas comerciais são alugadas.

Índice de indeterminação do sujeito: singular

Com verbo transitivo indireto (pede preposição), intransitivo ou de ligação, o "se" indetermina o sujeito. O verbo fica no singular.

Exemplo

  • "Precisa-se de cozinheiros." (quem precisa, precisa de algo)
  • "Confia-se em bons profissionais."
  • "Vive-se bem nesta cidade."
  • "É-se mais feliz com saúde."

Dica

Teste rápido: tente passar para a voz passiva com "ser". "Apartamentos são vendidos" funciona, então o "se" é apassivador e o verbo concorda. "Cozinheiros são precisados" não funciona, então o "se" indetermina e o verbo fica no singular.

Exercícios

Exercício 1

Corrija, se necessário: "Deviam haver mais fiscais na sala de prova."

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Está errada. "Haver", no sentido de existir, é impessoal e transmite essa impessoalidade ao auxiliar. Forma correta: "Devia haver mais fiscais na sala de prova." Se a ideia fosse usar o plural, seria preciso trocar o verbo: "Deviam existir mais fiscais".

Exercício 2

Qual frase está correta? (a) "Consertam-se celulares." (b) "Precisam-se de técnicos."

Ver resposta

Apenas a (a). "Consertar" é transitivo direto: "celulares são consertados", então o "se" é apassivador e o verbo concorda com "celulares". Em (b), "precisar" pede a preposição "de", logo o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica no singular: "Precisa-se de técnicos".

Exercício 3

Avalie: "Os 15% que faltavam já foi pago."

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Está errada. Com artigo antes da porcentagem ("Os 15%"), o verbo concorda com o número, que está no plural. Forma correta: "Os 15% que faltavam já foram pagos."

Exercício 4

Reescreva no plural a palavra destacada e ajuste o verbo, se for preciso: "Houve um problema na entrega."

Ver resposta

"Houve problemas na entrega." O verbo não muda: "haver" no sentido de acontecer é impessoal e fica sempre no singular. "Houveram problemas" é erro.

Exercício 5

As duas frases estão corretas? "A maioria dos inscritos faltou." / "A maioria dos inscritos faltaram."

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Sim. Com "a maioria de" seguida de termo no plural, a norma aceita o singular (concordando com "maioria") e o plural (concordando com "inscritos"). Em questões de reescrita, trocar uma forma pela outra mantém a correção.

Dica

Reveja a base na aula de regra geral da concordância verbal e siga para a concordância nominal.

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