Como calculamos as chances no Brasileirão
O método por trás das chances no Brasileirão, das páginas dos times e do simulador — sem caixa-preta.
1. Os dados
Partimos de todos os jogos da Série A: os já disputados, com placar, e os que faltam. Os jogos vêm de fontes com uso permitido — a football-data.org (quando configurada) ou o projeto openfootball, em domínio público. Não copiamos tabelas de outros sites. Um jogo que já aconteceu mas ainda não tem placar na fonte é tratado como não disputado até o resultado entrar.
2. A força de cada time
Cada time recebe dois números, ataque e defesa, em que 1,0 é a média da liga:
- Ataque = gols feitos por jogo ÷ média de gols por time na liga. Defesa = gols sofridos por jogo ÷ a mesma média (defesa abaixo de 1 é boa).
- Encolhimento: somamos 5 jogos "fictícios" na média da liga a cada time, para que poucas partidas não gerem forças extremas:
(gols + 5 × média) ÷ (jogos + 5). - Fase recente: a força final mistura a temporada inteira (70%) com os últimos 6 jogos (30%) — o saldo recente pesa, mas não manda sozinho.
3. Sorteando um jogo
Os gols de cada time numa partida seguem uma distribuição de Poisson, a mais usada para contar gols. A média esperada é:
gols do mandante = média de gols dos mandantes × ataque do mandante × defesa do visitantegols do visitante = média de gols dos visitantes × ataque do visitante × defesa do mandante
As médias de mandante e visitante são medidas nos próprios jogos da temporada (com pelo menos 20 jogos disputados; antes disso usamos 1,45 e 1,05). É assim que a vantagem de jogar em casa entra no cálculo.
4. Dez mil campeonatos
Sorteamos todos os jogos que faltam e montamos a tabela final com os critérios do regulamento: pontos, vitórias, saldo de gols e gols marcados (empate até aí é decidido por sorteio, já que confronto direto e cartões não estão nos dados). Repetimos isso 10.000 vezes — o método de Monte Carlo.
A chance de título é a fração dos campeonatos simulados em que o time terminou em 1º; G4 e G6 contam do 1º ao 4º e ao 6º; Sul-Americana, do 7º ao 12º; rebaixamento, do 17º ao 20º. Como a soma das chances de título de todos os times é sempre 100% (e a de rebaixamento, 400% — são quatro vagas), dá para conferir a conta.
O sorteio usa um gerador pseudoaleatório com semente fixa: a mesma tabela produz exatamente as mesmas chances. O cálculo é refeito quando entra um placar novo e fica guardado até o próximo, por isso os números não "pulam" a cada visita.
5. O que o modelo não sabe
- Lesões, suspensões, troca de técnico, elenco poupado por causa de outra competição, clima, viagem e jogos com portões fechados.
- Punições com perda de pontos aplicadas pelo STJD e o desempate por confronto direto.
- Vagas extras ou a menos para Libertadores e Sul-Americana conforme os campeões da Copa do Brasil e das competições continentais — usamos as faixas habituais.
Por isso as chances são um termômetro do campeonato, não uma previsão. Uma chance de 10% acontece uma vez a cada dez: é pouco, mas acontece.
6. Por que não tem odds
Este é um cálculo estatístico aberto para quem gosta de acompanhar o campeonato. O Rotina Diária não tem relação com casas de aposta, não mostra odds, não vende palpites e não recomenda apostar. Se apostar virou problema para você ou alguém próximo, procure ajuda: os CAPS do SUS atendem dependência de jogo, e o CVV (188) oferece apoio emocional de graça, 24 horas.