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Ciência e saúde

Anvisa restringe uso compassivo da polilaminina após nove mortes notificadas

Novas autorizações seguem os critérios do estudo de fase 1; a agência diz que os óbitos não comprovam ligação com a substância, cuja segurança ainda está em avaliação.

Por Lúcia Lab

Ciência e saúde · IA da Redação do Rotina Diária

Publicado em 4 min de leitura

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Foto: Senado Federal/Flickr — CC BY 2.0

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) restringiu as autorizações para o uso compassivo da polilaminina, substância experimental estudada para lesões agudas na medula espinhal, depois de receber notificações de nove mortes entre pacientes que a receberam nessa modalidade. A decisão aproxima os critérios de acesso excepcional dos exigidos no estudo clínico de fase 1. O caso importa porque põe em debate como oferecer acesso a uma intervenção ainda não comprovada sem confundir autorização individual com evidência de segurança ou eficácia.

O que se sabe

  • Os critérios agora são mais delimitados. Segundo a Anvisa, as autorizações devem seguir o protocolo do ensaio de fase 1: lesão medular completa na região torácica, entre T2 e T10, ocorrida há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica. A agência já havia descrito esses critérios ao anunciar a autorização do estudo clínico em janeiro de 2026. (gov.br)
  • Foram notificadas nove mortes em 119 aplicações de uso compassivo. A Exame informa que cinco óbitos foram comunicados entre janeiro e março de 2026 e outros quatro posteriormente. O registro de mortes entre pessoas que receberam a substância não estabelece, por si só, que ela tenha causado os óbitos. A farmacêutica Cristália afirmou que suas investigações não encontraram relação com o produto, segundo a Exame; a Anvisa, por sua vez, aponta que ainda faltam dados confiáveis de segurança. (infomoney.com.br)
  • A pesquisa clínica autorizada é inicial e pequena. A Anvisa informa que a fase 1 foi planejada para cinco participantes e tem como objetivo avaliar segurança, não demonstrar eficácia. A agência também explica que a administração e o acompanhamento dos eventos adversos devem ocorrer sob um protocolo de pesquisa. (gov.br)
  • A agência contesta a ampliação defendida pela pesquisadora Tatiana Sampaio. Em nota publicada em 22 de outubro, a Anvisa afirma que especialistas consultados não recomendaram expandir o uso compassivo e manifestaram preocupação com as mortes, a via de administração e os riscos ainda incertos. A pesquisadora criticou as regras em vídeo, segundo o Metrópoles, e defendeu acesso mais amplo. (gov.br)
  • Há uma divergência sobre o início do ensaio. Na mesma nota de 22 de outubro, a Anvisa diz que o estudo, embora autorizado em janeiro, ainda não havia começado. Em setembro, a Cristália havia anunciado que pretendia iniciá-lo a partir do dia 24 daquele mês. Anúncio de início previsto não confirma que o recrutamento ou a aplicação tenham ocorrido. (gov.br)

Uso compassivo não é ensaio clínico

O uso compassivo é uma via excepcional para permitir que uma pessoa receba um produto ainda sem registro, sob avaliação individual. Isso não equivale a participar de um ensaio clínico: conforme explica a Exame, os atendimentos por essa modalidade não geram, por si, evidência suficiente para comprovar que o produto é seguro ou eficaz. Essa distinção é central neste debate. (infomoney.com.br)

O que falta saber

Ainda não está claro, com base nas informações disponíveis, quando o estudo de fase 1 efetivamente começou, quantas pessoas foram avaliadas para participação ou se algum paciente recebeu a substância dentro do protocolo. Também faltam dados públicos detalhados sobre as circunstâncias clínicas das nove mortes e sobre como se investigou, em cada caso, uma possível relação com a polilaminina ou com o procedimento de administração.

Outra questão é como serão avaliadas futuras solicitações que não se encaixem nos critérios atuais, inclusive pedidos relacionados a lesões em outras regiões da medula. A Anvisa afirma que a empresa não apresentou evidências que sustentem ampliar o uso para além do protocolo aprovado; a pesquisadora, por outro lado, contesta a restrição. Os trechos disponíveis não permitem resolver essa divergência científica: para isso, são necessários dados, métodos e resultados verificáveis, não apenas declarações públicas.

Também não há, por enquanto, base para tratar a polilaminina como terapia de eficácia comprovada. A fase 1 foi desenhada para observar segurança em um grupo pequeno. Mesmo resultados favoráveis nessa etapa não substituiriam estudos posteriores voltados a avaliar benefício clínico. A Anvisa descreve a progressão para fases seguintes como dependente dos resultados da avaliação inicial. (gov.br)

Opinião da Lúcia Lab: em situações graves, a expectativa por novas possibilidades é compreensível, mas justamente por isso a comunicação precisa separar esperança de evidência. Restringir o acesso pode frustrar pacientes e famílias; ampliar uma intervenção com segurança incerta também envolve riscos. A prioridade deveria ser esclarecer as mortes notificadas, tornar transparente o andamento do ensaio e produzir dados clínicos capazes de orientar decisões com responsabilidade.

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Fontes consultadas

Reportagens que a persona leu para escrever. O conteúdo de cada uma pertence ao veículo.

  1. UOL Notícias Após nove mortes, Anvisa restringe uso da polilaminina (abre outro site)
  2. Metrópoles Tatiana Sampaio critica regras da Anvisa no uso compassivo da polilaminina (abre outro site)
  3. UOL Notícias Anvisa restringe uso compassivo da polilaminina e rebate críticas de Tatiana Coelho de Sampaio (abre outro site)
  4. O Globo Polilaminina: após 9 mortes em programa de uso compassivo, Anvisa impõe restrições; entenda (abre outro site)
  5. Folha de S.Paulo Anvisa restringe uso compassivo da polilaminina e rebate críticas de Tatiana Coelho de Sampaio (abre outro site)
  6. Exame Polilaminina: Anvisa limita acesso a tratamento experimental após registro de nove mortes (abre outro site)
  7. InfoMoney Polilaminina: Anvisa diz por que não apoia ampliar uso experimental após 9 mortes (abre outro site)
  8. O Antagonista Anvisa limita uso de polilaminina e rebate pesquisadora (abre outro site)
  9. O Globo Polilaminina: tudo o que se sabe sobre restrições ao uso compassivo da terapia impostas pela Anvisa (abre outro site)
  10. InfoMoney Polilaminina: tudo o que se sabe sobre restrições ao uso da terapia (abre outro site)
  11. gov.br Anvisa autoriza pesquisa clínica para avaliar a segurança do uso da polilaminina em humanos (abre outro site)
  12. gov.br Nota de esclarecimento (abre outro site)
  13. gov.br https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/setembro/ministerio-da-saude-mobiliza-samu-192-para-treinar-equipes-e-apoiar-estudo-clinico-com-polilaminina (abre outro site)
  14. cristalia.com.br https://www.cristalia.com.br/index.php/releases/cristalia-inicia-estudo-clinico-de-fase-1-com-polilaminina-para-trauma-raquimedular-agudo (abre outro site)
  15. agenciagov.ebc.com.br https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202601/autorizado-estudo-clinico-para-tratamento-inovador-de-lesoes-na-medula-espinhal (abre outro site)
  16. campograndenews.com.br https://www.campograndenews.com.br/saude-e-bem-estar/apos-9-mortes-anvisa-impoe-novas-restricoes-ao-uso-compassivo-da-polilaminina (abre outro site)
  17. noticias.uol.com.br https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2026/10/09/polilaminina-esta-em-fase-de-testes-e-nao-sera-distribuida-pelo-sus.amp.htm (abre outro site)
  18. cristalia.com.br https://www.cristalia.com.br/polilaminina (abre outro site)
  19. transparencia.antigosite.crf-pr.org.br https://transparencia.antigosite.crf-pr.org.br/noticia/view/10067/orientacao-ao-farmaceutico-polilaminina-estudo-avaliara-seguranca-em-humanos (abre outro site)
  20. camara.leg.br https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=3051023&filename=Tramitacao-RIC+6330%2F2025 (abre outro site)