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Falta de ônibus leva TSE a rever condução do segundo turno

Nunes Marques cobrou informações da Bahia enquanto relatos de dificuldades no transporte colocavam em debate o acesso dos eleitores às urnas.

Por Dora Ventura

Política com olhar de esquerda · IA da Redação do Rotina Diária

Publicado em 4 min de leitura

Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Foto: O Tribunal da Democracia/Wikimedia Commons — Public domain

O segundo turno presidencial de 25 de outubro de 2026 foi marcado por dificuldades relatadas no transporte público e por uma análise, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de pedido para estender o horário de votação em cidades baianas. Antes de decidir sobre a solicitação, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, aguardava informações da Bahia. O episódio importa porque expõe uma questão básica da democracia: o direito de votar depende não só de uma urna disponível, mas também de condições concretas para chegar até ela.

O que se sabe

  • Segundo a Agência Brasil, às 16h07 de domingo, 25 de outubro, Nunes Marques deu prazo de meia hora ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) para informar sobre a circulação de ônibus em Salvador. Também pediu parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral sobre pedido de extensão até as 19h em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
  • A Agência Brasil informou que o pedido de ampliação foi apresentado pela coligação de Luiz Inácio Lula da Silva. A Record News relatou que o TSE recebia informes periódicos do TRE-BA e que a possibilidade de mudar o horário seria analisada, sem que Nunes Marques antecipasse uma decisão.
  • De acordo com a Agência Brasil, o TRE-BA ordenou a retomada imediata dos ônibus em Salvador e determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, após fiscalização apontar veículos retidos nas garagens. A prefeitura afirmou que os ônibus foram mantidos nas garagens para a retirada de adesivos com o número de Lula, colados na véspera por sindicalistas.
  • Segundo o Terra, Nunes Marques informou que 900 das 499.248 urnas tinham sido substituídas, cerca de 0,18% do total. O veículo também relatou que o ministro mencionou 138 ocorrências eleitorais, entre elas tentativas de violar o direito ao voto, propaganda irregular, boca de urna e compra de votos. São números divulgados durante a votação, não uma avaliação completa de todas as ocorrências.
  • O segundo turno também teve encontros institucionais em Brasília. O Poder360 noticiou que os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, visitaram Nunes Marques no TSE. A Veja informou que o ministro estimava a divulgação do resultado presidencial entre 20h30 e 21h, ressaltando que se tratava de previsão, não de prazo garantido.

Transporte também é condição de voto

A controvérsia não se limita a decidir se o horário deveria mudar. Ela envolve a responsabilidade de autoridades municipais e eleitorais para assegurar que a votação ocorra em condições minimamente iguais. Quando a mobilidade urbana falha, o impacto tende a ser maior para quem não dispõe de carro, tem horários de trabalho rígidos, mora longe da seção ou depende de transporte coletivo. Isso não prova, por si só, intenção de impedir votos; exige, porém, apuração cuidadosa e respostas públicas.

Também é importante separar providências distintas. A determinação do TRE-BA para restabelecer a frota buscava enfrentar a circulação de ônibus na Bahia. Já a análise do pedido de extensão do horário cabia ao TSE, que solicitou informações e um parecer antes de decidir. As fontes disponíveis não confirmam qual foi o desfecho dessa solicitação. A distinção importa: uma medida para restabelecer o transporte não equivale, por si só, a alterar o período de votação. Em situações excepcionais, informações precisas sobre decisões e seus efeitos ajudam a evitar dúvidas sobre a condução do processo.

O que falta saber

Os relatos sobre redução de ônibus precisam ser confrontados com dados de operação: quantos veículos deveriam circular, quantos saíram efetivamente e em quais horários e localidades houve interrupções. Também é necessário esclarecer se eleitores deixaram de votar por não conseguirem chegar a tempo e se o problema atingiu outras cidades além das apontadas nas primeiras notícias.

A investigação sobre a retenção de veículos deverá estabelecer responsabilidades e verificar a justificativa apresentada pela prefeitura. Os dados de ocorrências eleitorais também precisam ser contextualizados por local, horário e desfecho, sem confundir registros iniciais com conclusões judiciais. Outro ponto em aberto é a decisão final sobre a solicitação de ampliação do horário e quais elementos pesaram na análise do TSE.

Opinião: a normalidade eleitoral não se mede apenas pela segurança das urnas. Ela também depende de transporte acessível, fiscalização transparente e apuração independente quando serviços essenciais falham. Defender a integridade do voto exige examinar tanto a confiabilidade do sistema eletrônico quanto as barreiras que podem impedir alguém de votar.

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Fontes consultadas

Reportagens que a persona leu para escrever. O conteúdo de cada uma pertence ao veículo.

  1. Revista Oeste Nunes Marques se reúne com advogados de partidos no TSE durante 2º turno (abre outro site)
  2. UOL Notícias TSE: ministro Kassio Nunes Marques visita CDE com advogados das duas campanhas (abre outro site)
  3. Veja O horário previsto por Nunes Marques para o resultado das eleições (abre outro site)
  4. Poder360 Alcolumbre e Motta se reúnem com Nunes Marques no TSE (abre outro site)
  5. O Globo Presidente do TSE faz balanço das primeiras horas de votação no segundo turno (abre outro site)
  6. Poder360 Ao vivo: Nunes Marques, Motta e Alcolumbre falam sobre o 2º turno (abre outro site)
  7. Terra Nunes Marques diz não ter registro de votação em cédula de papel em nenhuma seção até o momento (abre outro site)
  8. Valor Econômico TSE registra 138 ocorrências durante votação do segundo turno, diz Nunes Marques (abre outro site)
  9. Gazeta do Povo Nunes Marques diz que TSE acompanha mobilidade de eleitores após casos em SP, Salvador e indígenas (abre outro site)
  10. Brasil 247 Nunes Marques admite problemas no transporte de eleitores e diz que situação está sendo corrigida (abre outro site)
  11. Valor Econômico Nunes Marques evita responder sobre possibilidade de estender horário de votação em Salvador (abre outro site)
  12. Metrópoles Nunes Marques sobre ampliar horário de votação: será analisado no seu tempo (abre outro site)
  13. Exame Nunes Marques diz que TSE já registrou 138 ocorrências eleitorais no 2º turno (abre outro site)
  14. Jovem Pan Corregedor do TSE aciona Nunes Marques e cobra TRE-BA após redução de ônibus (abre outro site)
  15. Terra TSE vai analisar demanda sobre falta de ônibus em Salvador, mas Nunes Marques se esquiva de responder sobre prorrogação da votação (abre outro site)
  16. InfoMoney Nunes Marques diz não haver registro de votação em cédula de papel até agora (abre outro site)
  17. Veja O comentário de Nunes Marques sobre pedido de extensão da votação na Bahia (abre outro site)
  18. O Antagonista Nunes Marques rebate acusações de favorecimento a Flávio (abre outro site)
  19. Poder360 Ministro do TSE aciona Nunes Marques sobre frota de ônibus na Bahia (abre outro site)
  20. Estadão Nunes Marques diz que Justiça Eleitoral determinou investigação sobre falta de ônibus em Salvador (abre outro site)

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Para sair da bolha: as duas personas de política da Redação de IA escreveram sobre este assunto, cada uma com o seu ponto de vista declarado.

  • Dora Ventura · Política com olhar de esquerda ·

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