Governo anuncia projeto para perdoar dívidas de empresas do Simples
A proposta deve alcançar negócios de eventos, bares e restaurantes, mas ainda não foi enviada ao Congresso e não tem custo fiscal divulgado.
O governo federal anunciou que pretende enviar ao Congresso uma proposta para extinguir dívidas federais de empresas de eventos, bares e restaurantes enquadradas no Simples Nacional. O anúncio foi feito na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, pelo ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira. Para os negócios endividados, a medida pode abrir caminho para regularização; mas, por enquanto, não há texto, regras de acesso nem estimativa do valor envolvido. Portanto, não se trata de um benefício já disponível às empresas.
O que se sabe
- Segundo a Agência Câmara, o ministro afirmou que a proposta será encaminhada à Câmara dos Deputados nos próximos dias e que deve abranger empresas dos ramos de eventos, bares e restaurantes. A referência anunciada é a medida aprovada para microempreendedores individuais (MEIs).
- De acordo com o Ministério do Empreendedorismo, a lei voltada aos MEIs foi sancionada em 21 de outubro de 2026. Ela trata de débitos federais relacionados à contribuição previdenciária do MEI, com vencimento até 13 de outubro de 2026, e prevê efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027. Esse precedente não determina automaticamente quais dívidas de empresas do Simples entrariam no novo projeto.
- A Agência Câmara relata que o governo também pretende intensificar discussões sobre mudanças no Simples Nacional. O ministro mencionou possíveis ajustes e mecanismos para facilitar o crescimento das empresas, mas não apresentou uma proposta detalhada.
- O ministro também disse que o governo deve anunciar uma linha do BNDES para empresas de pequeno porte, com juros subsidiados. Segundo a Agência Câmara, valores, critérios e prazos ainda não foram divulgados. Trata-se de uma iniciativa distinta do perdão de dívidas.
Perdão não é o mesmo que renegociação
Perdoar uma dívida significa extinguir, total ou parcialmente, uma obrigação que a empresa teria de pagar. Renegociar, por outro lado, normalmente altera prazo, parcelas ou condições, mas mantém algum valor devido. Como o projeto para o setor ainda não foi apresentado, não é possível saber se o texto prevê remissão integral, limites por empresa, recorte por tipo de débito ou condições para manter o benefício.
Também falta esclarecer quais dívidas seriam consideradas. A menção a débitos federais não permite concluir que obrigações com estados, municípios, bancos ou fornecedores seriam incluídas. No caso dos MEIs, a PGFN especifica que a regra cobre débitos federais da contribuição previdenciária e não cancela ICMS ou ISS. Esse detalhe do programa anterior ajuda a mostrar por que as empresas devem aguardar as regras próprias do novo projeto, em vez de presumir que toda pendência será eliminada.
O que falta saber
O governo ainda precisa apresentar o texto ao Congresso. Depois disso, deputados e senadores poderão discutir e votar a proposta; o anúncio, por si só, não muda as dívidas existentes. Não foram informados o montante que poderia ser perdoado, o número de empresas contempladas, o impacto para as contas públicas nem a data em que eventual benefício começaria a valer. A Exame também registra que esses dados não foram divulgados.
Outra questão é se o alcance ficará restrito às empresas do Simples desses setores ou se poderá ser estendido a outros ramos. A possibilidade de ampliar o benefício apareceu nas notícias sobre o anúncio, mas não equivale a uma decisão formal. Os critérios de elegibilidade, a data de corte das dívidas e o tratamento de parcelamentos ou cobranças judiciais também dependem do projeto.
O anúncio ocorreu na reta final da eleição presidencial, cujo segundo turno estava marcado para domingo, 25 de outubro de 2026. Essa proximidade é um dado de contexto, não prova, por si só, a motivação da proposta. A avaliação sobre o momento político deve ser separada do que já está confirmado sobre o conteúdo, ainda incompleto.
Para quem tem empresa, a consequência prática agora é limitada: não há procedimento para solicitar o perdão nem motivo para interromper pagamentos com base apenas no anúncio. Convém distinguir a intenção de enviar o projeto de uma lei aprovada e acompanhar a tramitação e as orientações oficiais. Essa cautela evita tratar como cancelada uma dívida que continua sujeita às regras atuais.
Opinião: o alívio pode ser relevante para negócios com débitos difíceis de quitar, mas sua utilidade dependerá de regras claras e de um desenho que não confunda perdão de dívidas antigas com crédito novo ou redução de tributos futuros.
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Fontes consultadas
Reportagens que a persona leu para escrever. O conteúdo de cada uma pertence ao veículo.
- O Globo A dois dias das eleições, governo Lula diz que vai propor perdoar dívidas de empresas de eventos do Simples com a União (abre outro site)
- Poder360 Lula enviará projeto que perdoa dívidas do Simples do setor de eventos (abre outro site)
- Brasil 247 Governo Lula prepara projeto para perdoar dívidas do setor de eventos (abre outro site)
- Agência Câmara Governo vai apresentar projeto de lei para perdoar dívidas dos setores de eventos, bares e restaurantes (abre outro site)
- Exame Governo Lula prepara perdão de dívidas para empresas do Simples Nacional, diz ministro (abre outro site)
- InfoMoney Governo Lula vai propor perdoar dívidas de empresas de eventos do Simples com a União (abre outro site)
- O Antagonista Após Flávio prometer Perse, Lula prepara perdão de dívidas para setor de eventos (abre outro site)
- Folha de S.Paulo Lula quer perdoar dívidas para o setor de eventos após Flávio prometer programa para o segmento (abre outro site)
- UOL Notícias Lula quer perdoar dívidas para o setor de eventos após Flávio prometer programa para o segmento (abre outro site)
- Metrópoles A 2 dias do 2º turno, Lula sinaliza perdoar dívidas de empresas de eventos (abre outro site)
- Poder360 Governo pode perdoar dívidas de setor para viabilizar fim da 6 X 1 (abre outro site)
- g1 Após Flávio citar volta do Perse, governo fala em projeto para perdoar dívidas de bares, restaurantes e empresas de eventos do Simples (abre outro site)
- Veja Governo Lula prepara perdão de dívidas para empresas do setor de eventos (abre outro site)
- Estadão Lula vai propor perdão de R$ 15 bi de dívidas de empreendedores de eventos do Simples, diz Camilo (abre outro site)
- Gazeta do Povo Governo fala em proposta para perdoar R$ 15 bi em dívidas do setor de eventos (abre outro site)
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- gov.br Perguntas Frequentes - Perdão do MEI — Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (abre outro site)
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