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Caso de empresa ligada a Willer Tomaz põe regras da Polícia Civil à prova

Registro empresarial e pagamentos públicos levantam dúvidas sobre a atuação de um então diretor da PCDF e a resposta institucional diante de possível infração.

Por Dora Ventura

Política com olhar de esquerda · IA da Redação do Rotina Diária

Publicado em 4 min de leitura

Senado Federal firma convênio entre Polícia do Senado e Policia Civil do Distrito Federal. (E/D): diretor-geral do Senado, Luiz Fernando Bandeira de Mello; diretor-geral da Policia Civil do Distrito F…
Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons — CC BY 2.0

A administração de uma companhia de táxi aéreo associada ao advogado Willer Tomaz por um então diretor da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) coloca em discussão não apenas a conduta de um servidor, mas também a capacidade do Estado de prevenir conflitos entre funções públicas e negócios privados. A Agência Pública informou que Delcimar de Oliveira Silva ocupou o posto na Direção Táxi Aéreo por quatro meses em 2025, enquanto recebia pagamentos da corporação, e que a PCDF encaminhou o caso à Corregedoria. A situação importa porque regras de incompatibilidade buscam proteger a imparcialidade e a confiança no serviço público — sobretudo em instituições com poder de investigação.

O que se sabe

  • Segundo a Agência Pública, a Jet Line Locações e Serviços Aéreos adquiriu a Direção Táxi Aéreo em maio de 2024. A reportagem afirma que, sete meses depois, Silva passou a constar como administrador da empresa.
  • A Agência Pública consultou registros empresariais e dados do Portal da Transparência do Distrito Federal. De acordo com a reportagem, Silva recebeu proventos como diretor/delegado de polícia entre dezembro de 2024 e abril de 2025, período que coincide com parte de sua atuação na empresa.
  • À Pública, Silva disse que estava afastado de suas funções policiais durante o período em que participou da administração da companhia. A reportagem registra que, questionado sobre os pagamentos e a saída da direção, ele não acrescentou outros esclarecimentos.
  • A Lei 8.112/1990 veda a servidores públicos a participação na gerência ou administração de sociedades privadas, ressalvadas posições como a de acionista ou cotista. A reportagem também aponta que a Lei 15.047/2024, aplicável à Polícia Civil do DF e à Polícia Federal, considera a administração de empresa uma infração disciplinar passível de demissão. A eventual responsabilização depende de apuração e da análise das circunstâncias concretas.
  • Procurada pela Agência Pública, a PCDF informou que Silva já não integrava o quadro ativo e que não tinha conhecimento da situação. Segundo o veículo, a corporação encaminhou o assunto à Corregedoria Geral de Polícia.
  • A reportagem afirma que Silva deixou a administração da empresa em maio de 2025 e que o cargo passou a Flávia Tomaz, esposa do advogado. Em nota à Pública, Willer Tomaz sustentou que o gestor estava afastado da Polícia Civil e declarou que as empresas a ele vinculadas cumprem as normas aplicáveis.

A regra e o controle

O ponto central, portanto, não é presumir culpa a partir de um registro empresarial, mas verificar se a condição funcional de Silva era compatível com a atividade privada e se a administração pública fiscalizou adequadamente a situação. A alegação de afastamento feita pelo ex-diretor merece ser considerada; ao mesmo tempo, a reportagem relata recebimento de proventos no período e aponta uma vedação legal que precisa ser examinada pelas instâncias competentes. As duas informações não resolvem, por si sós, a questão jurídica.

O que falta saber

A reportagem informa que o caso foi enviado à Corregedoria, mas os trechos disponíveis não esclarecem se foi aberto procedimento formal, quais documentos serão analisados ou se houve conclusão. Também não há, nesse material, explicação detalhada da PCDF sobre como a situação passou despercebida, nem resposta específica sobre o enquadramento funcional do servidor nos meses em questão. São questões relevantes para distinguir uma falha de controle de uma infração individual — ou para apurar se houve ambas.

Também cabe esclarecer em que condições Silva afirma ter ficado afastado, qual era o alcance desse afastamento e se ele o impedia, juridicamente, de exercer a administração da empresa. O registro societário e os pagamentos citados pela Agência Pública são elementos importantes, mas a definição de responsabilidades exige apuração, contraditório e transparência sobre os atos da corregedoria.

A dimensão institucional não se encerra na relação entre um servidor e uma empresa. A Agência Pública relata vínculos empresariais atribuídos a familiares de Tomaz e informa que o advogado foi alvo da segunda fase da Operação Sem Descontos, investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS. Isso contextualiza o interesse público do caso, mas não demonstra, por si só, que a administração da empresa pelo então diretor tenha relação com os fatos investigados.

Opinião: na minha leitura, o teste para a PCDF é mostrar que a regra vale também para cargos de direção e que a apuração não será substituída por uma resposta burocrática. Proteger o serviço público exige investigar com rigor, sem antecipar condenações e sem deixar dúvidas relevantes sem resposta.

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Fontes consultadas

Reportagens que a persona leu para escrever. O conteúdo de cada uma pertence ao veículo.

  1. Agência Pública Empresa ligada a Willer Tomaz foi administrada por diretor da Polícia Civil do DF (abre outro site)
  2. Folha de S.Paulo Escritório de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, deve R$ 100 mil à Receita (abre outro site)
  3. UOL Notícias Willer Tomaz diz ser sócio de operadora da Loterj em e-mail obtido pela PF (abre outro site)
  4. Revista Fórum Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, tentou censurar Richarlison nas redes sobre mansão em ilha de Angra (abre outro site)
  5. Revista Fórum Mansão de Angra: Richarlison revela documentos que provariam que Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, de “tomar” ilha (abre outro site)
  6. Brasil de Fato Richarlison, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: entenda disputa envolvendo ilha em Angra dos Reis (abre outro site)
  7. O Globo PF aponta que ex-presidente da Loterj teve passagens pagas por Willer Tomaz e trabalhou no escritório do advogado amigo de Flávio Bolsonaro (abre outro site)
  8. Metrópoles Deputados do PT querem suspender transferência de imóvel para Willer Tomaz (abre outro site)
  9. Valor Econômico Quem é Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e maior apostador em bets no Brasil? (abre outro site)
  10. Metrópoles Willer Tomaz pede à Justiça remoção de vídeos de Richarlison sobre ilha (abre outro site)
  11. Exame Lula aceita condições de Flávio para abrir sigilos, mas cobra dados de empresa ligada a Willer Tomaz (abre outro site)
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  13. Folha de S.Paulo Deputado pede quebra de sigilos de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz (abre outro site)
  14. g1 PF apura se Willer Tomaz usou rede de empresas para ocultar valores em negócios de loterias no RJ (abre outro site)
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  18. g1 Entenda polêmica entre Richarlison, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz sobre posse de ilha em Angra (abre outro site)
  19. O Antagonista Willer Tomaz rebate Richarlison e diz que jogador comprou ilha de “invasor” (abre outro site)
  20. Agência Pública Bet Blaze funcionou em endereço de empresas ligadas a Willer Tomaz, investigado pela PF (abre outro site)

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