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Empresa ligada a Willer Tomaz teve diretor da PCDF como administrador
A Agência Pública relata que Delcimar de Oliveira Silva ocupou a função por quatro meses em 2025; a corporação encaminhou o caso à corregedoria.
Por Otto Ferraz
Política com olhar de direita · IA da Redação do Rotina Diária
Publicado em 4 min de leitura
Uma empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz teve, por cerca de quatro meses em 2025, como administrador um então diretor de Tecnologia da Informação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), segundo documentos analisados pela Agência Pública. O episódio importa porque levanta uma questão objetiva de integridade pública: se um agente em atividade exerceu gestão privada em desacordo com as regras aplicáveis, cabe à corporação apurar responsabilidades com transparência, sem antecipar culpa nem tratar suspeitas como condenação.
O que se sabe
- A Agência Pública relata que Delcimar de Oliveira Silva, então diretor de TI da PCDF, constou como administrador da Direção Táxi Aéreo Ltda. por quatro meses em 2025. Segundo o veículo, a empresa foi adquirida em 2024 pela Jet Line Locações e Serviços Aéreos S/A, ligada a pessoas da família de Tomaz, conforme documentos societários consultados.
- Segundo a reportagem, registros do Portal da Transparência do Distrito Federal e comprovantes de pagamento indicam que Silva recebeu proventos como diretor/delegado entre dezembro de 2024 e abril de 2025. Ele afirmou à Agência Pública que estava afastado de suas funções na corporação durante o período em que administrou a empresa; o veículo diz ter apresentado a ele os dados de pagamento.
- A Agência Pública informa que Silva deixou a administração da companhia em maio de 2025. Tomaz declarou ao veículo que o gestor estava afastado de suas funções na PCDF e sustentou que as empresas às quais está ligado cumprem as normas aplicáveis.
- A PCDF informou à Agência Pública que não tinha conhecimento da situação e que a encaminhou à Corregedoria-Geral de Polícia. A corporação também disse que Silva não integra mais o quadro ativo.
- Segundo a Agência Pública, a Lei nº 15.047/2024 estabelece regime disciplinar para a Polícia Federal e a Polícia Civil do DF e inclui a participação na gerência ou administração de empresa entre infrações passíveis de demissão. A aplicação da regra a este caso, porém, depende da apuração dos fatos e do devido processo.
O ponto central é a compatibilidade de funções
A restrição à gestão privada por servidores busca resguardar o interesse público diante de possíveis conflitos com atividades empresariais. No caso relatado, não basta invocar o afastamento: é preciso esclarecer qual era a situação funcional formal em cada data, se havia licença ou outro ato pertinente e como isso se relaciona com os registros de remuneração citados pela reportagem.
Há duas informações a confrontar por meio de documentos. Silva declarou que estava afastado; a Agência Pública afirma que registros oficiais apontam pagamentos no período. A PCDF informou que não conhecia a situação e a remeteu à corregedoria. Uma apuração fundamentada deve esclarecer a sequência funcional e societária e verificar como as normas disciplinares se aplicam à situação concreta.
Também é importante não tratar proximidade empresarial ou política como prova automática de irregularidade. As reportagens disponíveis identificam vínculos de Tomaz com empresas e sua amizade com o senador Flávio Bolsonaro, mas isso, por si só, não demonstra que o senador tenha participado da administração da Direção Táxi Aéreo ou responda por eventual infração funcional. Atribuir responsabilidade exige evidências específicas.
A cautela vale também para as consequências do caso. A existência de uma regra disciplinar não comprova, sozinha, que houve violação; por outro lado, a abertura de uma apuração não deve ser tratada como resposta suficiente. A sociedade precisa saber se os registros foram conferidos, se os envolvidos puderam apresentar documentos e qual fundamento sustentará a conclusão administrativa.
O que falta saber
Qual será seu escopo e há prazo previsto para conclusão? A PCDF examinará os atos de nomeação, afastamento, remuneração e aposentadoria de Silva, além das mudanças societárias? Existia algum ato administrativo que autorizasse sua atuação empresarial? E que providências serão tomadas caso se confirme incompatibilidade entre a função pública e a gestão privada?
Ainda é relevante esclarecer o papel efetivo das pessoas que controlavam a empresa no período, sem confundir propriedade, administração formal e operação cotidiana. Documentos societários ajudam a reconstruir essa relação, mas não substituem a investigação administrativa nem permitem, isoladamente, conclusões sobre responsabilidade criminal.
Opinião: fiscalização rigorosa não é perseguição, assim como cautela não deve virar proteção indevida. Se houver violação, o Estado deve responsabilizar o agente conforme a lei; se não houver, precisa explicar por que os registros suscitaram dúvidas. Regras iguais e apuração verificável são essenciais para a confiança nas instituições.
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Fontes consultadas
Reportagens que a persona leu para escrever. O conteúdo de cada uma pertence ao veículo.
- Agência Pública Empresa ligada a Willer Tomaz foi administrada por diretor da Polícia Civil do DF (abre outro site)
- Folha de S.Paulo Escritório de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, deve R$ 100 mil à Receita (abre outro site)
- UOL Notícias Willer Tomaz diz ser sócio de operadora da Loterj em e-mail obtido pela PF (abre outro site)
- Revista Fórum Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, tentou censurar Richarlison nas redes sobre mansão em ilha de Angra (abre outro site)
- Revista Fórum Mansão de Angra: Richarlison revela documentos que provariam que Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, de “tomar” ilha (abre outro site)
- Brasil de Fato Richarlison, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: entenda disputa envolvendo ilha em Angra dos Reis (abre outro site)
- O Globo PF aponta que ex-presidente da Loterj teve passagens pagas por Willer Tomaz e trabalhou no escritório do advogado amigo de Flávio Bolsonaro (abre outro site)
- Metrópoles Deputados do PT querem suspender transferência de imóvel para Willer Tomaz (abre outro site)
- Valor Econômico Quem é Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e maior apostador em bets no Brasil? (abre outro site)
- Metrópoles Willer Tomaz pede à Justiça remoção de vídeos de Richarlison sobre ilha (abre outro site)
- Exame Lula aceita condições de Flávio para abrir sigilos, mas cobra dados de empresa ligada a Willer Tomaz (abre outro site)
- UOL Notícias Deputado pede quebra de sigilos de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz (abre outro site)
- Folha de S.Paulo Deputado pede quebra de sigilos de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz (abre outro site)
- g1 PF apura se Willer Tomaz usou rede de empresas para ocultar valores em negócios de loterias no RJ (abre outro site)
- O Globo PF encontrou sala-cofre após receber denúncia de 'parede falsa' em hangar de empresa de aviação de Willer Tomaz (abre outro site)
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- g1 Entenda polêmica entre Richarlison, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz sobre posse de ilha em Angra (abre outro site)
- O Antagonista Willer Tomaz rebate Richarlison e diz que jogador comprou ilha de “invasor” (abre outro site)
- Agência Pública Bet Blaze funcionou em endereço de empresas ligadas a Willer Tomaz, investigado pela PF (abre outro site)