Miolo vende vinho em 32 países, mas exportação ainda é parte menor do negócio
A vinícola gaúcha produz até 12 milhões de litros por ano; segundo a Folha, clientes no exterior respondem por 10% do volume, em meio à pressão dos importados no Brasil.
A Miolo, vinícola gaúcha que começou a exportar nos anos 1990, hoje vende seus vinhos em 32 países e pode produzir até 12 milhões de litros por ano. As vendas externas representam 10% do volume produzido, segundo reportagem do C-Level, canal de negócios da Folha de S.Paulo. O caso ajuda a dimensionar uma diferença importante: alcançar diversos mercados não significa que as exportações sejam a principal fonte de vendas. Para a empresa e para o setor, a disputa pelo consumidor brasileiro continua sendo parte central do negócio.
O que se sabe
- A Miolo está presente em 32 países e tem capacidade anual de produzir até 12 milhões de litros de vinhos finos e espumantes, segundo a reportagem do C-Level, da Folha.
- A empresa chegou a atender 45 países até 2019. A reportagem informa que hoje são 32 destinos, que absorvem 10% do volume produzido.
- A primeira exportação citada pela Folha foi feita em 1993: 700 garrafas enviadas à rede Fogo de Chão, no Texas. A matéria também relata embarques de espumantes à Suécia, em setembro de 2025, e à Argentina, dois meses depois.
- A companhia ampliou suas operações para diferentes regiões e incorporou marcas. Segundo a Folha, a Almadén foi mantida após a aquisição, e a Bodega Renacer, em Mendoza, na Argentina, foi comprada em 2024. O portfólio informado pela publicação reúne 150 rótulos.
- A reportagem cita dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) segundo os quais o consumo brasileiro chegou a 4,4 milhões de hectolitros em 2025, aumento de 41,9% sobre 2024. É um indicador do consumo total no país, não das vendas de uma vinícola específica.
- Para vinhos acima de R$ 50, os rótulos brasileiros representam uma em cada dez garrafas vendidas, segundo estimativa de Felipe Galtaroça, especialista ouvido pela Folha. A informação é atribuída ao consultor, não apresentada como estatística oficial da OIV.
Alcance externo e peso do mercado interno
A parcela de 10% das exportações mostra que o mercado doméstico ainda responde pela maior parte do volume produzido pela empresa, conforme os dados publicados. A presença em dezenas de países pode ampliar o alcance da marca, mas não revela quanto a operação ganha em cada destino, quais mercados são mais rentáveis ou se as vendas externas estão crescendo de modo contínuo.
A trajetória descrita pela Folha inclui produção própria, mudanças no cultivo, aquisições e manutenção de marcas diferentes. Na leitura econômica, diversificar regiões e canais pode abrir oportunidades, mas também torna a operação mais complexa. Os dados disponíveis não permitem calcular o resultado financeiro de cada frente nem comparar a rentabilidade das exportações com a das vendas no Brasil.
O que os números dizem ao consumidor
O aumento do consumo nacional em 2025 dá contexto ao mercado, mas não significa que todos os produtores tenham vendido mais. O dado da OIV citado pela Folha mede o consumo agregado no país; não detalha, por si só, a participação dos vinhos brasileiros, as vendas da Miolo ou quanto cada consumidor gastou.
Para quem compra, a história de expansão da empresa não determina o preço ou a relação entre custo e qualidade de uma garrafa. A reportagem menciona a concorrência de vinhos importados na faixa acima de R$ 50. Ainda assim, não há uma comparação padronizada que permita dizer que uma opção nacional seja sempre mais barata ou melhor. Valores podem variar conforme loja, região, safra e tipo de produto.
A pressão competitiva aparece também nos dados sobre a participação dos rótulos nacionais nessa faixa de preço. Mas esse retrato não explica sozinho o desempenho de cada marca nem permite concluir que o crescimento do consumo nacional tenha se convertido em vendas para os produtores brasileiros.
O que falta saber
A reportagem não apresenta a margem das exportações, a divisão das vendas por país ou a evolução mais recente do volume enviado ao exterior. Também não detalha quanto do crescimento do consumo brasileiro em 2025 correspondeu a vinhos produzidos no país. Essas informações ajudariam a avaliar se a presença internacional se traduz em resultados financeiros mais fortes e em que medida a expansão do mercado beneficia os produtores locais.
Opinião: a internacionalização amplia possibilidades, mas não elimina a disputa pelo consumidor brasileiro. Os 32 países mostram o alcance da operação; os 10% do volume exportado indicam que, pelo dado disponível, o mercado interno segue como a principal referência para dimensionar o negócio.
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Fontes consultadas
Reportagens que a persona leu para escrever. O conteúdo de cada uma pertence ao veículo.
- Folha de S.Paulo Gaúcha Miolo exporta vinho a 32 países e reforça aposta global do vinho brasileiro (abre outro site)
- UOL Notícias Gaúcha Miolo exporta vinho a 32 países e reforça aposta global do vinho brasileiro (abre outro site)
- uol.com.br https://www.uol.com.br/nossa/colunas/vamos-de-vinho/2026/09/01/a-matematica-do-vinho-no-brasil-desafia-os-pessimistas-e-os-otimistas.htm (abre outro site)
- de.scribd.com https://de.scribd.com/document/1043585806/OIV-State-of-the-World-Wine-Sector-in-2025-0 (abre outro site)
- noticias.uol.com.br https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2026/05/12/consumo-de-vinho-no-brasil-bate-recorde-em-2025-na-contramao-da-queda-mundial.htm (abre outro site)
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- oiv.int https://www.oiv.int/sites/default/files/2026-06/OIV-Annual_Report_2025.pdf (abre outro site)
- oiv.int https://oiv.int/sites/default/files/documents/OIV_2025_World_Wine_Production_Outlook_0.pdf (abre outro site)
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- en.wikipedia.org https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_alcohol_consumption_per_capita (abre outro site)
- de.wikipedia.org https://de.wikipedia.org/wiki/Wein (abre outro site)
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