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Rotina Diária
Dinheiro

Como atualizar um valor pela inflação: índice certo e fator acumulado

Escolha o índice certo para dívida, contrato, pensão ou comparação de preços e aprenda a calcular a correção pelo fator acumulado, mês a mês.

Por Equipe Rotina Diária Publicado em 5 min de leitura
Foto: Sedano's Supermarket Shopping Cart Sabor Tropical Supermarket
Foto: Phillip Pessar/Flickr — CC BY 2.0
Neste post
  1. Primeiro, o índice certo
  2. O cálculo pelo fator acumulado
  3. Cuidados que mudam o resultado
  4. Passo a passo na calculadora de correção
  5. Para comparar preços de anos diferentes
  6. Perguntas frequentes

Calculadora de correção monetária

Corrija um valor pelo IPCA, INPC, IGP-M, IGP-DI, Selic ou poupança entre dois meses, com fator acumulado e tabela mês a mês.

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Primeiro, o índice certo

Não existe um único "valor corrigido": o resultado depende do índice. A regra é usar o que está previsto no documento que deu origem ao valor. Na falta dele:

SituaçãoÍndice que costuma valer
Dívida civil sem índice combinadoIPCA, pelo Código Civil (art. 389, parágrafo único), mais juros pela taxa legal
Contrato (aluguel, prestação de serviço, compra parcelada)O índice escrito no contrato, como IGP-M ou IPCA
Processo judicialA tabela do tribunal ou o índice fixado na sentença
Pensão alimentícia em valor fixoO índice da decisão ou do acordo; se fixada em percentual do salário ou em salários mínimos, ela já se ajusta sozinha
Comparar preços ou salários de anos diferentesIPCA, a inflação oficial

A regra do IPCA como índice padrão veio com a Lei 14.905/2024, que também definiu a taxa legal de juros (Selic menos IPCA). Entenda as diferenças entre os índices em IPCA, IGP-M e INPC.

O cálculo pelo fator acumulado

Inflação acumulada não é a soma das taxas mensais: cada mês incide sobre o valor já corrigido. O caminho é transformar cada taxa em fator e multiplicar:

  1. Converta cada variação mensal em fator: 0,45% vira 1,0045.
  2. Multiplique os fatores de todos os meses do período.
  3. Multiplique o valor original pelo fator acumulado.

Exemplo com taxas ilustrativas: R$ 2.500,00 corrigidos por seis meses com variações de 0,45%, 0,38%, 0,52%, 0,21%, 0,16% e 0,33%.

  • Fator: 1,0045 × 1,0038 × 1,0052 × 1,0021 × 1,0016 × 1,0033 = 1,020671, ou 2,0671% acumulados.
  • Valor corrigido: 2.500 × 1,020671 = R$ 2.551,68.
  • Somando as taxas, você teria 2,05% — a diferença parece pequena em seis meses, mas cresce muito em períodos de anos.

A calculadora de correção monetária busca as variações reais no Banco Central, mostra o fator e a tabela mês a mês, e permite escolher entre IPCA, INPC, IGP-M, IGP-DI, Selic e poupança.

Cuidados que mudam o resultado

  • Mês inicial: se o valor foi fixado no fim de um mês, a inflação daquele mês já estava embutida; comece no mês seguinte. A calculadora do site inclui o mês inicial e o final.
  • Correção não é juros: a correção só repõe o poder de compra. Numa dívida atrasada, os juros de mora entram à parte — veja multa e juros por atraso.
  • Selic já inclui correção: quando a Selic é usada, ela não se soma a outro índice, porque já embute a inflação.
  • Tabelas judiciais trocam de índice ao longo dos anos e têm regras próprias de arredondamento. Use a conta do site como estimativa e confira com a tabela do tribunal.

Passo a passo na calculadora de correção

  1. Digite o valor original, sem pontos de milhar desnecessários.
  2. Escolha o mês inicial: o primeiro mês cuja inflação deve ser aplicada ao valor.
  3. Escolha o mês final: o último mês com índice já divulgado que deve entrar.
  4. Selecione o índice do contrato ou da situação.
  5. Confira o fator acumulado e o valor corrigido; abra a tabela mês a mês se precisar anexar a memória de cálculo a uma cobrança ou acordo.

Se o Banco Central estiver fora do ar ou você já tiver o percentual acumulado (por exemplo, de uma tabela do tribunal), informe-o manualmente. Lembre-se: o mês corrente da Selic fica de fora porque ainda está incompleto, e índices como o IPCA só saem por volta do dia 10 do mês seguinte.

Para comparar preços de anos diferentes

Quer saber se o salário de 2015 comprava mais que o de hoje, ou quanto custaria agora um carro pago em 2010? Use a calculadora de inflação: ela acumula o IPCA do mês escolhido até o último divulgado e mostra quanto o dinheiro parado perdeu em poder de compra. O Banco Central oferece cálculo semelhante na Calculadora do Cidadão.

Conteúdo informativo: não substitui a orientação de um advogado, da Defensoria Pública, do Procon ou do Banco Central para o seu caso.

Fontes: Código Civil, arts. 389 e 406; séries de índices no SGS do Banco Central.

Atualizado em outubro de 2026.

Perguntas frequentes

A calculadora serve para dívidas judiciais?

Serve como estimativa. Processos costumam seguir tabelas próprias dos tribunais, com troca de índices ao longo do tempo e juros de mora, então confira sempre com a tabela oficial do tribunal.

Como descontar a inflação de um valor futuro?

Divida o valor pelo fator de inflação acumulada. Por exemplo, R$ 1.100 daqui a um ano, com inflação de 10%, valem R$ 1.000 em dinheiro de hoje.

Posso somar as taxas mensais para achar a inflação do período?

Não. A inflação acumulada se calcula multiplicando os fatores mensais (1 + taxa). Somar subestima o resultado, e o erro cresce com o tempo.

Qual índice usar se o contrato não diz nada?

Para obrigações civis, o Código Civil manda usar o IPCA quando não há índice combinado nem previsto em lei específica, conforme a redação dada pela Lei 14.905/2024.

A correção monetária é um ganho?

Não. Ela só mantém o poder de compra do valor original. Ganho real é o que um investimento ou um reajuste rende acima da inflação.

Escrito e revisado pela Equipe Rotina Diária. Viu algo desatualizado? Fale com a gente.

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