Neste post
Gerador e validador de CPF
Gere CPFs válidos para testes de software ou valide um CPF.
Para que servem os dígitos verificadores
O CPF tem 11 dígitos. Os nove primeiros são o número de inscrição; os dois últimos (depois do traço) são dígitos verificadores, calculados a partir dos nove primeiros. Eles existem para pegar erros de digitação: se alguém troca um número ou inverte dois dígitos, a conta não fecha e o sistema percebe na hora.
Importante: o cálculo só mostra que o número é possível. Não diz se o CPF existe, a quem pertence ou se está regular.
Cálculo do primeiro dígito
Vamos usar um exemplo fictício: 111.444.777-??.
- Multiplique os nove primeiros dígitos pelos pesos 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3 e 2, na ordem: 1×10 + 1×9 + 1×8 + 4×7 + 4×6 + 4×5 + 7×4 + 7×3 + 7×2.
- Some os resultados: 10 + 9 + 8 + 28 + 24 + 20 + 28 + 21 + 14 = 162.
- Divida por 11 e pegue o resto: 162 ÷ 11 = 14, resto 8.
- Se o resto for 0 ou 1, o dígito é 0. Caso contrário, o dígito é 11 menos o resto: 11 − 8 = 3.
O primeiro dígito verificador é 3.
Cálculo do segundo dígito
- Agora use os dez dígitos (os nove originais mais o 3) com os pesos 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3 e 2: 1×11 + 1×10 + 1×9 + 4×8 + 4×7 + 4×6 + 7×5 + 7×4 + 7×3 + 3×2.
- Some: 11 + 10 + 9 + 32 + 28 + 24 + 35 + 28 + 21 + 6 = 204.
- Resto da divisão por 11: 204 ÷ 11 = 18, resto 6.
- Como o resto não é 0 nem 1, o dígito é 11 − 6 = 5.
O CPF completo do exemplo é 111.444.777-35. Para conferir qualquer número sem fazer a conta, use o Gerador e validador de CPF, que refaz o cálculo na hora.
O que o nono dígito indica
O nono dígito (o último antes do traço) indica a região fiscal onde o CPF foi emitido:
- 0: Rio Grande do Sul.
- 1: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
- 2: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima.
- 3: Ceará, Maranhão e Piauí.
- 4: Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
- 5: Bahia e Sergipe.
- 6: Minas Gerais.
- 7: Espírito Santo e Rio de Janeiro.
- 8: São Paulo.
- 9: Paraná e Santa Catarina.
Ele mostra onde o CPF foi inscrito, não onde a pessoa mora hoje. No exemplo, o nono dígito é 7: região do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.
Números que passam na conta, mas não valem
Sequências com todos os dígitos iguais, como 111.111.111-11 ou 000.000.000-00, passam no cálculo, mas não são CPFs válidos e devem ser rejeitadas por sistemas. Validadores bem feitos tratam esse caso à parte.
Para quem programa um formulário, a validação dos dígitos é uma checagem de qualidade, não de identidade. Ela evita erros de digitação, mas não impede que alguém informe o CPF de outra pessoa. Quando a identidade importa, o sistema precisa de outra confirmação, como login gov.br ou conferência de documentos.
E o CNPJ?
O CNPJ usa a mesma ideia, com 14 posições: 8 da empresa, 4 do estabelecimento (0001 para a matriz) e 2 dígitos verificadores, calculados com pesos diferentes (de 5 a 2 e de 9 a 2 no primeiro dígito, e de 6 a 2 e de 9 a 2 no segundo). Com o CNPJ alfanumérico, as letras entram na conta a partir do valor do código do caractere. O Gerador e validador de CNPJ confere os dois formatos, e o guia CNPJ alfanumérico: como validar detalha o cálculo novo.
Perguntas frequentes
Um CPF válido no cálculo pode não existir?
Pode. Muitos números passam na conta e nunca foram emitidos. Só a Receita Federal confirma a existência e a situação de um CPF.
Dá para descobrir o dono de um CPF pelo número?
Não pela conta. O dono só aparece em consultas oficiais que exigem dados do titular, como a data de nascimento.
O nono dígito muda se eu me mudar de estado?
Não. O CPF não muda; o nono dígito continua indicando a região da inscrição original.
Gerar CPF para cadastro é permitido?
Não. Números gerados servem só para testar sistemas. Usar CPF falso ou de outra pessoa em cadastros pode configurar crime.
Por que o resto 0 ou 1 vira dígito 0?
Porque 11 menos 0 ou 1 daria 11 ou 10, que não cabem em um dígito. A regra define 0 nesses casos.