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Rotina Diária
Saúde e bem-estar

IMC: o que o número mostra e o que ele não mostra

Entenda as faixas de IMC da OMS, por que atletas, idosos e crianças precisam de outra leitura e como a cintura completa a avaliação.

Por Equipe Rotina Diária Publicado em 5 min de leitura
Neste post
  1. Uma conta simples, criada para populações
  2. As faixas usadas pela OMS para adultos
  3. O que o IMC não enxerga
  4. Exemplos: mesmo IMC, situações diferentes
  5. Cintura: a medida que completa o IMC
  6. Como usar o número a seu favor
  7. Perguntas frequentes

Calculadora de IMC

Calcule seu Índice de Massa Corporal e veja a classificação da OMS e a faixa de peso saudável.

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Uma conta simples, criada para populações

O Índice de Massa Corporal é o peso em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado. Uma pessoa com 70 kg e 1,75 m tem IMC de 70 ÷ (1,75 × 1,75) = 70 ÷ 3,0625 ≈ 22,9 kg/m². Você faz essa conta em segundos na Calculadora de IMC.

A fórmula foi proposta no século XIX pelo estatístico belga Adolphe Quetelet para descrever populações, não indivíduos. Ela continua útil porque é barata, rápida e se relaciona, em média, com o risco de várias doenças. Mas, olhando uma pessoa só, ela pode enganar.

As faixas usadas pela OMS para adultos

IMC (kg/m²)Classificação
Abaixo de 18,5Baixo peso
18,5 a 24,9Peso adequado
25,0 a 29,9Sobrepeso (pré-obesidade)
30,0 a 34,9Obesidade grau I
35,0 a 39,9Obesidade grau II
40,0 ou maisObesidade grau III

Essas faixas valem para adultos de 20 a 59 anos. Para outras idades, a leitura muda.

O que o IMC não enxerga

  • Músculo x gordura: o IMC só vê o peso total. Um atleta musculoso de 1,80 m e 90 kg tem IMC 27,8, "sobrepeso" na tabela, mesmo com pouca gordura. O contrário também acontece: alguém com IMC normal pode ter pouca massa muscular e gordura acima do ideal.
  • Onde a gordura está: a gordura acumulada na barriga (visceral) está mais associada a doenças cardiovasculares e diabetes do que a distribuída em quadris e coxas. Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter riscos bem diferentes.
  • Idosos: com a idade, perdemos massa muscular e estatura. O Ministério da Saúde, no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), usa para pessoas com 60 anos ou mais outra referência: baixo peso até 22, adequado entre 22 e 27 e sobrepeso acima de 27.
  • Crianças e adolescentes: não se usa a tabela de adultos. A avaliação é feita com as curvas de crescimento da OMS (IMC para a idade e sexo), as mesmas da Caderneta da Criança.
  • Gestantes: o ganho de peso esperado depende do IMC antes da gravidez e é acompanhado no pré-natal.
  • Diferenças entre populações: a própria OMS reconhece que o risco associado a cada faixa pode variar entre grupos étnicos.

Exemplos: mesmo IMC, situações diferentes

Veja como o mesmo número pode contar histórias distintas:

  • Ana, 35 anos, 1,62 m, 66 kg: IMC de 66 ÷ 2,6244 ≈ 25,1, no limite do sobrepeso. Faz musculação três vezes por semana e tem cintura de 74 cm. O número da tabela sozinho exagera o risco.
  • Carlos, 52 anos, 1,75 m, 75 kg: IMC de 24,5, "adequado". Mas é sedentário e tem cintura de 99 cm, acima da referência de risco aumentado para homens. Aqui o IMC subestima o problema.
  • Dona Maria, 74 anos, 1,55 m, 52 kg: IMC de 21,6. Pela tabela de adultos seria "adequado", mas pela referência para idosos usada no SUS fica abaixo de 22, faixa de baixo peso, o que merece atenção à alimentação e à perda de massa muscular.

É por isso que profissionais de saúde usam o IMC como triagem: um ponto de partida para perguntar mais, não uma conclusão.

Cintura: a medida que completa o IMC

A circunferência da cintura é medida com fita métrica, em pé, no ponto médio entre a última costela e o osso do quadril, ao final de uma expiração normal. As referências da OMS para adultos indicam:

Risco de complicações metabólicasMulheresHomens
Aumentadoa partir de 80 cma partir de 94 cm
Muito aumentadoa partir de 88 cma partir de 102 cm

Outra relação simples usada por profissionais é a cintura dividida pela altura: valores abaixo de 0,5 costumam ser considerados adequados. Nenhuma dessas medidas sozinha faz diagnóstico; elas ajudam a decidir se vale investigar mais.

Como usar o número a seu favor

  1. Calcule o IMC e meça a cintura no mesmo dia, de preferência pela manhã.
  2. Anote e repita a cada poucos meses: a tendência diz mais que um valor isolado.
  3. Se o objetivo é mudar o peso, entenda primeiro seu gasto diário de energia com a Calculadora de calorias e leve os números para a consulta.
  4. Leve em conta outros sinais: pressão arterial, exames de sangue, condicionamento, sono e alimentação.

Fontes: Organização Mundial da Saúde — obesidade e sobrepeso; Ministério da Saúde — SISVAN, orientações para avaliação antropométrica. Atualizado em outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui consulta com médico, nutricionista ou outro profissional de saúde.

Perguntas frequentes

IMC 25 já é sobrepeso?

Pela classificação da OMS para adultos, sim: a faixa de sobrepeso começa em 25,0. Mas o número precisa ser lido com a cintura, a composição corporal e outros exames, sobretudo em pessoas muito musculosas.

O IMC é diferente para homens e mulheres?

Para adultos a tabela é a mesma. Em crianças e adolescentes a avaliação usa curvas por sexo e idade, e as referências de cintura também são diferentes entre homens e mulheres.

Bioimpedância é melhor que o IMC?

A bioimpedância estima gordura e massa magra, mas sofre influência de hidratação, refeição recente e do aparelho usado. É mais um dado, não um substituto da avaliação profissional.

Escrito e revisado pela Equipe Rotina Diária. Viu algo desatualizado? Fale com a gente.

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