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Dinheiro

IPTU: como é calculado, progressividade e como contestar

Como a prefeitura chega ao valor do IPTU: valor venal, alíquota, progressividade, isenções e o passo a passo para pedir revisão do lançamento.

Por Equipe Rotina Diária Publicado em 5 min de leitura
Foto: Monroe House (Oberlin Heritage Center), Professor Street, Oberlin, OH
Foto: w_lemay/Flickr — CC BY-SA 2.0
Neste post
  1. Quem cobra e sobre o quê
  2. Como a prefeitura calcula o valor venal
  3. Alíquotas e progressividade
  4. Isenções e descontos
  5. Como contestar ou pedir revisão
  6. Perguntas frequentes

Calculadora de IPVA e IPTU

Calcule o IPVA ou o IPTU pelo valor venal e a alíquota do seu estado e veja se vale pagar à vista ou parcelar.

Abrir a ferramenta

Quem cobra e sobre o quê

O Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana é municipal (art. 156, I, da Constituição Federal). Cada prefeitura define em lei a planta de valores, as alíquotas, os descontos e as isenções. Por isso dois imóveis iguais em cidades vizinhas podem pagar valores bem diferentes.

A fórmula geral é: IPTU = valor venal do imóvel × alíquota. Muitas cidades cobram, no mesmo carnê, taxas como a de coleta de lixo, que não fazem parte do IPTU.

Como a prefeitura calcula o valor venal

O valor venal não é o preço de mercado, e sim um valor estimado pela prefeitura a partir da Planta Genérica de Valores, aprovada por lei. Em geral, ele combina:

  • terreno: área × valor do metro quadrado da quadra ou região × fatores de correção (esquina, formato, topografia);
  • construção: área construída × valor do metro quadrado do padrão da construção (simples, médio, alto) × fator de idade ou conservação.

Por isso a área é tão importante. Confira se a área do terreno e a área construída do carnê batem com a escritura e a planta. A Calculadora de metro quadrado ajuda a refazer a medição cômodo por cômodo.

Alíquotas e progressividade

A Constituição permite (art. 156, § 1º) que o IPTU seja progressivo em razão do valor do imóvel e tenha alíquotas diferentes conforme a localização e o uso (residencial, comercial, terreno vazio). Além disso, o art. 182 autoriza o IPTU progressivo no tempo para imóveis urbanos não edificados ou subutilizados, como sanção prevista no plano diretor.

A Emenda Constitucional 132/2023 acrescentou que a prefeitura pode atualizar a base de cálculo por ato do Executivo, desde que siga critérios definidos em lei municipal.

Exemplo com alíquotas progressivas (hipotéticas)

Faixa de valor venalAlíquota
Até R$ 200.000,000,6%
De R$ 200.000,01 a R$ 500.000,001,0%
Acima de R$ 500.000,001,4%

Um apartamento com valor venal de R$ 300.000,00 nessa cidade fictícia pagaria 1,0% × R$ 300.000,00 = R$ 3.000,00. Algumas cidades aplicam a alíquota da faixa sobre o valor inteiro, outras aplicam cada alíquota só à parte do valor dentro da faixa, e outras usam descontos fixos por faixa. Veja o método na lei do seu município ou no próprio carnê. Para residências, alíquotas entre 0,3% e 1,5% ao ano são comuns.

Isenções e descontos

  • Imóveis de baixo valor venal, abaixo de um teto fixado em lei.
  • Aposentados, pensionistas e pessoas com deficiência com renda limitada e um único imóvel, onde residem.
  • Templos, partidos, sindicatos de trabalhadores e entidades de educação e assistência sem fins lucrativos, que têm imunidade constitucional (art. 150, VI).
  • Desconto à vista, normalmente de 3% a 10% na cota única. A Calculadora de IPVA e IPTU mostra se compensa mais que parcelar.

Quase sempre é preciso pedir a isenção na prefeitura e renovar periodicamente.

Como contestar ou pedir revisão

  1. Confira os dados cadastrais do carnê: área do terreno, área construída, padrão da construção, uso e endereço.
  2. Junte provas: escritura, matrícula, planta aprovada, habite-se, fotos e, se o problema for o valor venal acima do mercado, avaliação de corretor ou laudo técnico.
  3. Apresente impugnação administrativa no prazo indicado no carnê ou na lei municipal (costuma ser de 30 a 90 dias após a notificação), pelo site ou atendimento da prefeitura.
  4. Acompanhe o processo. Se negado, normalmente cabe recurso a um conselho de contribuintes. Em último caso, a discussão vai ao Judiciário.

Enquanto a impugnação está em análise dentro do prazo, a cobrança costuma ficar suspensa, mas confira a regra local: em algumas cidades, pagar a cota única garante o desconto mesmo que a revisão saia depois.

Fontes: Constituição Federal, arts. 150, 156 e 182; Emenda Constitucional 132/2023. Atualizado em outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a orientação da prefeitura ou de um advogado.

Perguntas frequentes

Quem paga o IPTU: proprietário ou inquilino?

Perante a prefeitura, o responsável é o proprietário. O contrato de locação pode transferir o pagamento ao inquilino, o que é comum, mas se ele não pagar a prefeitura cobra do dono.

A prefeitura pode aumentar muito o IPTU de um ano para o outro?

Aumentos reais dependem de lei municipal que atualize a planta de valores ou as alíquotas, respeitando a anterioridade. Simples correção pela inflação costuma ser feita todo ano.

Terreno vazio paga IPTU mais caro?

Em muitas cidades, sim. A Constituição permite alíquotas diferentes conforme o uso, e terrenos não edificados costumam ter alíquota maior; se estiverem subutilizados em área prevista no plano diretor, podem ainda sofrer IPTU progressivo no tempo.

Reforma no imóvel aumenta o IPTU?

Pode aumentar, se acrescentar área construída ou elevar o padrão da construção. Obras devem ser regularizadas na prefeitura, que atualiza o cadastro.

Escrito e revisado pela Equipe Rotina Diária. Viu algo desatualizado? Fale com a gente.

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