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Rotina Diária
Trabalho

Como fazer um orçamento doméstico em 5 etapas (com exemplo)

Passo a passo para montar o orçamento da casa: renda líquida, gastos fixos e variáveis, categorias, reserva e um exemplo completo de família.

Por Equipe Rotina Diária Publicado em 5 min de leitura
Neste post
  1. Orçamento é plano, não extrato
  2. As 5 etapas
  3. Categorias que funcionam para a maioria das casas
  4. Exemplo: família com R$ 7.200 líquidos por mês
  5. Erros que derrubam o orçamento
  6. Perguntas frequentes

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Orçamento é plano, não extrato

Anotar o que já foi gasto ajuda, mas não é orçamento. Orçamento é decidir antes do mês começar quanto vai para cada coisa e, no fim, comparar o planejado com o realizado. A diferença entre os dois mostra onde o dinheiro escapa.

O método abaixo funciona em caderno, planilha ou aplicativo do banco. O que importa é seguir a ordem: primeiro descobrir quanto entra de verdade, depois o que é obrigatório, e só então distribuir o resto.

As 5 etapas

  1. Calcule a renda líquida. Use o valor que cai na conta, não o salário bruto do contrato. Quem tem carteira assinada pode conferir o desconto de INSS e de imposto de renda na Calculadora de salário líquido. Autônomos devem usar a média dos últimos 6 a 12 meses, de preferência a de um mês fraco.
  2. Levante os gastos dos últimos 3 meses. Extrato da conta, fatura do cartão e comprovantes de Pix mostram o que realmente sai. Não esqueça gastos anuais: IPVA, IPTU, matrícula escolar, seguro do carro. Divida cada um por 12 e trate como uma "conta mensal".
  3. Separe em fixos e variáveis. Fixos têm valor quase igual todo mês (aluguel, condomínio, escola, plano de saúde). Variáveis mudam com o seu comportamento (mercado, delivery, combustível, lazer). É nos variáveis que existe margem de ajuste rápido.
  4. Defina um teto por categoria. Com a Calculadora de porcentagem você vê quanto cada categoria pesa na renda. Se a moradia passa de um terço da renda líquida, por exemplo, o resto do orçamento fica apertado.
  5. Revise no fim do mês. Compare planejado e realizado, ajuste os tetos e repita. Os três primeiros meses servem para calibrar; ninguém acerta de primeira.

Categorias que funcionam para a maioria das casas

  • Moradia: aluguel ou prestação, condomínio, IPTU mensalizado.
  • Contas da casa: luz, água, gás, internet, telefone, assinaturas.
  • Alimentação: mercado e feira; delivery e restaurante ficam melhor em "lazer" para não esconder o gasto.
  • Transporte: combustível, transporte público, aplicativo, manutenção, IPVA e seguro mensalizados.
  • Saúde: plano, remédios, dentista.
  • Educação: escola, cursos, material.
  • Lazer e pessoais: saídas, roupas, presentes, cuidados pessoais.
  • Dívidas: parcelas de empréstimo e financiamento.
  • Reserva e metas: reserva de emergência, viagem, troca do carro.

Menos categorias é melhor do que muitas. Com 30 linhas, a revisão vira trabalho e você abandona o controle no segundo mês.

Exemplo: família com R$ 7.200 líquidos por mês

Um casal com um filho, renda líquida somada de R$ 7.200,00 (R$ 4.300,00 + R$ 2.900,00), montou o seguinte plano:

CategoriaValor planejado% da renda
Moradia (aluguel + condomínio)R$ 1.900,0026,4%
Contas da casaR$ 520,007,2%
MercadoR$ 1.300,0018,1%
TransporteR$ 650,009,0%
SaúdeR$ 480,006,7%
EducaçãoR$ 400,005,6%
LazerR$ 350,004,9%
PessoaisR$ 300,004,2%
Reserva de emergênciaR$ 700,009,7%
Total planejadoR$ 6.600,0091,7%

Sobram R$ 600,00 (8,3%), que o casal decidiu separar para os gastos anuais: IPVA, material escolar de janeiro e presentes de fim de ano. Assim, janeiro deixa de ser o mês do susto.

No primeiro mês, o mercado fechou em R$ 1.520,00 e o lazer em R$ 480,00, porque o delivery entrou nas duas categorias. A correção foi criar uma regra simples: delivery sai do lazer, e o teto de lazer subiu para R$ 400,00, compensado por R$ 50,00 a menos em pessoais.

Gastos pontuais da família, como um jantar fora ou uma viagem com amigos, podem ser rateados na ferramenta Dividir conta, que divide igualmente ou pelo consumo de cada um. Para as despesas fixas do casal, veja como dividir as contas da casa no casal.

Erros que derrubam o orçamento

  • Usar a renda bruta ou contar com hora extra e bônus que não são garantidos.
  • Esquecer o cartão de crédito: a fatura do mês que vem já está comprometida pelas compras parceladas. Some as parcelas futuras antes de planejar.
  • Não ter reserva: sem ela, qualquer conserto vai para o rotativo do cartão ou para o cheque especial, os juros mais caros do mercado.
  • Orçamento rígido demais: deixar zero para lazer costuma terminar em "estouro" no segundo mês. Um valor pequeno e previsível funciona melhor.

O Banco Central mantém material gratuito de educação financeira no programa Cidadania Financeira (Banco Central). Para um método de divisão pronto, veja a regra 50-30-20. Atualizado em outubro de 2026.

Perguntas frequentes

Qual a porcentagem ideal para gastar com moradia?

Não há regra legal, mas uma referência comum é não passar de 30% a 35% da renda líquida com aluguel ou prestação e condomínio. Acima disso, sobra pouco para alimentação, transporte e reserva.

Devo anotar cada cafezinho?

Nos primeiros meses, anotar tudo ajuda a enxergar os pequenos gastos. Depois, basta controlar os tetos por categoria e conferir o extrato e a fatura no fim do mês.

Quanto guardar de reserva de emergência?

A referência mais usada é o equivalente a 3 a 6 meses de gastos essenciais, mais para quem tem renda variável. Comece com uma parcela fixa mensal, mesmo pequena, e aumente quando quitar dívidas.

Como fazer orçamento com renda variável?

Planeje com a média de um mês fraco, não a de um mês bom. O que entrar a mais vai primeiro para a reserva e para os gastos anuais, e só depois para lazer.

Escrito e revisado pela Equipe Rotina Diária. Viu algo desatualizado? Fale com a gente.

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