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Simulador de financiamento
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Fies é empréstimo, não bolsa
O Fundo de Financiamento Estudantil, regido pela Lei 10.260/2001 (Fies), paga total ou parcialmente a mensalidade de um curso superior privado, e o estudante devolve o valor depois de formado. É a principal diferença para o Prouni, que dá bolsa sem devolução. Os dois podem ser combinados: quem tem bolsa parcial do Prouni pode financiar a outra metade com o Fies no mesmo curso.
A seleção é feita pelo MEC duas vezes por ano, com as notas do Enem, no Portal Acesso Único.
Quem pode se inscrever em 2026
O edital do Fies do 1º semestre de 2026 exige, ao mesmo tempo:
- ter feito o Enem a partir da edição de 2010, com média de 450 pontos ou mais nas cinco provas e redação acima de zero, sem ter participado como treineiro (vale a edição com a maior média);
- ter renda familiar bruta mensal per capita de até 3 salários mínimos, ou seja, até R$ 4.863,00 por pessoa em 2026;
- não ter financiamento anterior do Fies sem quitar nem estar usando outro financiamento.
Fies Social: 50% das vagas são reservadas a candidatos inscritos no CadÚnico com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 810,50 em 2026). Esses candidatos podem financiar até 100% dos encargos educacionais, respeitados os limites do programa. A identificação é automática pelo CPF na base do CadÚnico, então o cadastro precisa estar atualizado antes da inscrição.
Também há percentual de vagas para pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, proporcional à população do estado.
Juro zero e coparticipação: o que você paga durante o curso
Os contratos firmados desde 2018 têm taxa de juros real igual a zero (art. 5º-C da lei). Juro real zero significa que a dívida não cresce acima da inflação: o saldo é apenas atualizado para manter o poder de compra, conforme regra do Conselho Monetário Nacional.
Durante a faculdade, o estudante paga:
- a coparticipação — a parte da mensalidade que não foi financiada, paga diretamente à instituição. Se o curso custa R$ 1.500,00 e o Fies cobre 80%, você paga R$ 300,00 por mês;
- parcelas para os custos operacionais do financiamento, pagas ao agente financeiro, em valores definidos no regulamento.
Para ter noção do que significa juro zero, compare com um crédito comum. Um saldo de R$ 60.000,00 a 1,5% ao mês de juros compostos vira R$ 71.737,09 em 12 meses (1,015 elevado a 12 ≈ 1,1956). No Fies, o mesmo saldo só acompanha a inflação. Faça simulações na Calculadora de juros compostos e compare parcelas no Simulador de financiamento.
P-Fies: a outra modalidade
A lei também criou o Programa de Financiamento Estudantil (P-Fies), operado por bancos, com recursos próprios e regras de crédito do banco, para faixas de renda definidas em regulamento — historicamente, rendas maiores que as do Fies com juro zero. Como o P-Fies não tem juro real zero, as condições variam e nem todo semestre há oferta relevante. Antes de assinar, peça o custo efetivo total e compare com o Fies tradicional.
Como pagar depois de formado
Pelo art. 5º-C da Lei 10.260/2001 (Fies):
- O pagamento começa no mês seguinte à conclusão do curso.
- A prestação é o maior valor entre um pagamento mínimo e um percentual da renda bruta do formado, fixado em contrato.
- Esse percentual tem limite legal de 20% da renda ou dos proventos brutos.
- Quem tem carteira assinada paga por desconto em folha: o empregador retém e repassa o valor. Autônomos, sócios de empresas e quem tem outras rendas recolhem por conta própria.
Exemplo: formada com salário bruto de R$ 3.500,00 e contrato com percentual de 10% pagaria R$ 350,00 por mês, desde que acima do mínimo. Se a renda subir para R$ 5.000,00, a prestação sobe para R$ 500,00 e a dívida acaba antes. É possível antecipar pagamentos a qualquer momento.
Atraso gera cobrança e inclusão do nome em cadastros de inadimplentes. Se a renda cair, procure o agente financeiro para ver as opções previstas no contrato.
Fontes: Lei 10.260/2001 (Fies); edital do Fies do 1º semestre de 2026 (MEC) e Fies no Portal Acesso Único (MEC). Atualizado em outubro de 2026. Conteúdo informativo: as regras podem mudar a cada edição, e o edital e o órgão oficial prevalecem sobre este texto.
Perguntas frequentes
Qual a renda máxima para o Fies em 2026?
Renda familiar bruta mensal per capita de até 3 salários mínimos, o que dá R$ 4.863,00 por pessoa em 2026. No Fies Social, a renda é de até meio salário mínimo por pessoa, com inscrição no CadÚnico.
O Fies cobra juros?
Os contratos do Fies desde 2018 têm juro real zero: o saldo só é atualizado pela inflação. O P-Fies, operado por bancos, segue regras de crédito próprias e pode cobrar juros.
Quando começo a pagar o Fies?
Durante o curso você paga a coparticipação e os custos operacionais. A amortização da dívida começa no mês seguinte à conclusão do curso, com prestação vinculada à renda.
Posso ter Fies e Prouni ao mesmo tempo?
Sim, no mesmo curso e instituição: quem tem bolsa parcial de 50% do Prouni pode financiar a parte restante pelo Fies.