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Rotina Diária
Dinheiro

O que é CET (Custo Efetivo Total) e como usar para comparar crédito

O CET soma juros, IOF, tarifas e seguros num único percentual. Veja o que entra na conta, um exemplo e a regra que obriga o banco a informar.

Por Equipe Rotina Diária Publicado em 5 min de leitura
Neste post
  1. Taxa de juros não é o preço do crédito
  2. O que entra no CET
  3. Exemplo: 2% ao mês que viram 3,31%
  4. Onde encontrar o CET
  5. Como usar o CET na prática
  6. Perguntas frequentes

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Taxa de juros não é o preço do crédito

A taxa de juros é só uma parte do que você paga num empréstimo ou financiamento. O Custo Efetivo Total (CET) junta tudo o que sai do seu bolso por causa da operação e expressa o resultado como uma taxa ao mês e ao ano. É o número certo para comparar propostas de bancos diferentes.

As instituições financeiras são obrigadas a informar o CET antes da contratação, em operações de crédito com pessoas físicas, inclusive empresários individuais, e a incluí-lo no contrato. A regra está na Resolução CMN nº 4.881/2020, que consolidou a antiga Resolução 3.517/2007. O CET deve vir em forma de taxa anual, acompanhado da planilha com os fluxos considerados.

O que entra no CET

  • Juros da operação.
  • IOF, o imposto sobre operações de crédito (veja como o IOF é calculado).
  • Tarifas, como a de cadastro e a de avaliação do bem.
  • Seguros exigidos ou contratados junto, como o prestamista e, no financiamento imobiliário, MIP e DFI.
  • Outras despesas cobradas pela instituição, inclusive as pagas a terceiros quando incluídas na operação, como registro de contrato.

Quando esses custos são financiados junto com o valor liberado, você paga juros também sobre eles — mais um motivo para olhar o CET e não a taxa.

Exemplo: 2% ao mês que viram 3,31%

Um empréstimo de R$ 10.000,00 em 12 parcelas pela Tabela Price a 2% ao mês. Sem custos extras, a parcela seria de R$ 945,60. Agora inclua uma tarifa de cadastro de R$ 600,00 e o IOF (alíquota diária de 0,0082% mais 0,38% fixo), ambos financiados:

  • IOF calculado sobre as amortizações: cerca de R$ 220,41.
  • Valor financiado: R$ 10.820,41, para receber os mesmos R$ 10.000,00.
  • Nova parcela: R$ 1.023,17.

A taxa que iguala os R$ 10.000,00 recebidos às 12 parcelas de R$ 1.023,17 é de 3,31% ao mês, ou cerca de 47,8% ao ano. A taxa de juros anunciada, 2% ao mês, equivale a 26,82% ao ano. Em operações curtas, uma tarifa fixa pesa muito no CET.

Para ver o efeito dos juros isoladamente, use a calculadora de juros compostos; para comparar sistemas de amortização, o simulador de financiamento. Os dois mostram a parte dos juros — o CET oficial só o banco informa, porque depende das tarifas e seguros dele.

Onde encontrar o CET

  • Na simulação e na proposta: o CET precisa ser informado antes da assinatura, em taxa anual, com a planilha de cálculo.
  • No contrato: o percentual deve constar do documento que você assina.
  • Em anúncios de crédito: quando a oferta divulga taxa ou parcela, o CET deve ser apresentado junto.
  • No aplicativo do banco: as telas de contratação de empréstimo costumam mostrar o CET mensal e anual antes da confirmação.

Se o banco não informar, peça. Uma oferta que esconde o custo total é sinal para comparar com outras instituições. O Banco Central também divulga as taxas médias de juros praticadas por cada instituição, o que ajuda a saber se a oferta está acima ou abaixo do mercado.

Para o financiamento imobiliário, o CET inclui os seguros MIP e DFI, que pesam mais para compradores mais velhos — por isso duas pessoas podem receber CETs diferentes para a mesma taxa de juros.

Como usar o CET na prática

  1. Peça a cada instituição o CET da mesma operação: mesmo valor, mesmo prazo, mesmas garantias.
  2. Compare o CET anual, não a parcela isolada nem a taxa de juros.
  3. Leia a planilha: veja se há seguro ou serviço embutido que você não pediu. Venda casada é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 39, I).
  4. Se a diferença de CET for pequena, avalie também flexibilidade: possibilidade de amortizar, portabilidade e atendimento.

Conteúdo informativo: não substitui a orientação de um advogado, da Defensoria Pública, do Procon ou do Banco Central para o seu caso.

Fontes: Resolução CMN nº 4.881/2020; Decreto 6.306/2007 (IOF).

Atualizado em outubro de 2026.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre CET e taxa de juros?

A taxa de juros remunera só o dinheiro emprestado. O CET soma a ela IOF, tarifas, seguros e outras despesas da operação, e por isso é o número que permite comparar propostas.

O CET pode ser menor que a taxa de juros?

Não. O CET parte dos juros e acrescenta impostos, tarifas e seguros, então é sempre igual ou maior que a taxa de juros da operação.

O CET muda depois de assinar o contrato?

Em operações prefixadas, não. Em contratos pós-fixados ou corrigidos por índice, o custo final depende da variação do índice, e o CET informado é uma estimativa feita com os parâmetros da data da proposta.

O banco é obrigado a informar o CET?

Sim. Pela Resolução CMN 4.881/2020, o CET precisa ser informado antes da contratação e constar do contrato nas operações de crédito com pessoas físicas, inclusive empresários individuais.

O seguro prestamista é obrigatório?

O banco pode exigir um seguro como garantia, mas não pode obrigar você a contratar o dele: impor a seguradora é venda casada, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Escrito e revisado pela Equipe Rotina Diária. Viu algo desatualizado? Fale com a gente.

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