Alho
Allium sativum L.
- Família
- Amaryllidaceae
- Parte usada
- Bulbo (bulbilhos, os "dentes"), fresco ou seco
- Uso tradicional
Uso tradicional descrito na fonte
O alho de cozinha é alimento comum. As publicações oficiais, porém, tratam de preparações medicinais concentradas, feitas em farmácia, com usos e cuidados próprios. O Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira descreve o alho como auxiliar:
- No alívio de sintomas do resfriado comum.
- No alívio de sintomas das vias aéreas superiores e do nariz entupido por excesso de catarro.
- Na prevenção de alterações ateroscleróticas (acúmulo de placas nos vasos), que avançam com a idade.
O Memento Fitoterápico cita ainda o uso como coadjuvante em bronquite crônica, como expectorante, em gripes e resfriados e, junto ao tratamento médico, em colesterol alto e pressão alta leve.
Atenção
O alho não substitui remédios para pressão, colesterol ou circulação. Nesses casos, as fontes falam apenas em uso auxiliar, e isso só deve ser feito com acompanhamento médico — inclusive porque o alho pode somar efeito a esses remédios.
Partes usadas
O bulbo, ou seja, os dentes de alho, frescos ou secos.
Como preparar e quanto usar
Não há chá descrito nas fontes. As formas oficiais são alcoolatura, tintura e cápsulas, preparadas em farmácia de manipulação.
| Para quê | Forma | Como usar |
|---|---|---|
| Resfriado comum (adultos e acima de 12 anos) | Cápsula com 100 a 200 mg de extrato seco | 1 cápsula, 1 ou 2 vezes ao dia (100 a 400 mg por dia) |
| Vias aéreas e nariz entupido (adultos) | Tintura | 10 mL diluídos em 75 mL de água, 2 vezes ao dia |
| Uso auxiliar com acompanhamento médico (adultos) | Cápsula com 300 a 750 mg de alho seco em pó | 1 cápsula, 3 a 5 vezes ao dia (900 a 1.380 mg por dia) |
| Uso auxiliar com acompanhamento médico (adultos) | Cápsula com 2 a 5 mg de óleo do alho | 1 cápsula ao dia |
Dica
As fontes divergem em algumas doses líquidas. Para a alcoolatura, o Formulário fala em 3 a 10 mL por dia, e o Memento, em 1 a 2 mL duas vezes ao dia. Siga a dose indicada pelo prescritor e, na dúvida, a menor.
Contraindicações
- Alergia ao alho.
- Gestação; tintura e alcoolatura também para lactantes, pessoas com alcoolismo e pessoas com diabetes.
- Gastrite ou úlcera no estômago ou no duodeno.
- Hipertireoidismo, distúrbios de coagulação, hemorragias, pressão baixa e hipoglicemia.
- Cirurgias: não usar antes nem depois. O Formulário pede suspensão 7 dias antes; o Memento, de 10 dias a duas semanas. Por cautela, suspenda duas semanas antes.
Efeitos possíveis: azia, enjoo, vômito e diarreia (sobretudo em jejum), ardência na boca, cheiro de alho na pele e no hálito, alergias na pele, asma, tontura e cansaço. O uso excessivo e prolongado pode afetar as células do sangue.
Interações
As fontes descrevem várias interações importantes:
- Anticoagulantes e antiagregantes (varfarina, heparina, ácido acetilsalicílico), trombolíticos e anti-inflamatórios: aumentam o risco de sangramento.
- Remédios para pressão (como captopril e hidroclorotiazida): o alho pode reforçar o efeito e baixar demais a pressão.
- Atorvastatina (para colesterol): pode ter o efeito prolongado.
- Antirretrovirais inibidores da protease (como saquinavir): risco de falha do tratamento.
- Clorzoxazona (relaxante muscular): pode perder efeito.
Quem usa remédio de uso contínuo deve falar com o médico ou farmacêutico antes.
Gestantes, lactantes e crianças
As fontes divergem: o Formulário não recomenda na amamentação e proíbe tintura e alcoolatura para gestantes, enquanto o Memento contraindica para grávidas em qualquer forma. Por cautela, não use na gravidez nem na amamentação. Em crianças, só a cápsula de extrato seco é prevista, a partir de 12 anos.
Quando procurar um profissional
- Se os sintomas do resfriado piorarem ou não melhorarem.
- Se notar sangramentos, manchas roxas sem motivo, tontura ou pressão baixa.
- Antes de qualquer cirurgia ou procedimento, avise que usa alho medicinal.
- Antes de usar, se você tomar remédios para pressão, colesterol, coagulação ou HIV.
Fonte
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição, 2026 — monografia Allium sativum L. (FT005-00), páginas 51 a 54 do PDF.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 1ª edição, 2016 — monografia Allium sativum L., páginas 24 a 27.
Texto escrito pela equipe do Rotina Diária a partir dessas publicações, sem copiar trechos.